terça-feira, 11 de março de 2014

7.7 - Dıa crıstão, de ıgrejas romanas e mosaıcos bızantınos

Contınua chovendo e fazendo muıto frıo em Istambul, por volta de 5 a 7 graus.
Mesmo assim, o passado, as histórias de Sultanahmet nos tiram do calor do hotel e nos jogam para conhecer o que era Constantinopla


Aya Sophıa
O que é uma igreja cristã despojada de sua imagética e de seus rituais?


Nada!
Está foi a sensação que a Santa Sofia me passou; um monumento impressionante em sua arquitetura, com cúpulas e abóboras penduradas há mil anos no céu de Istambul, mas desprovida de qualquer alma.
Alguns mosaicos bizantinos originais escondidos lá no alto que é preciso procurá-los diligentemente (o Ministério da Cultura, para dar algum sentido a este museu fotografou os mosaicos e fez uma exposição deles no andar superior da lateral esquerda).
Mais nada, apenas a horda de turistas (e ainda eh inverno) andando desnorteada.

Santa Sofia está violentada e mal conservada. Vi numa loja dos inumeros museus desses dias, uma foto da igreja quando ela ainda era uma igreja cristã ortodoxa. Com suas colunas em azul e suas arcadas em amarelos resplandecia de luz. Hoje nada mais é que um espaço escuro e triste.





Este grande espaço, mais um caminho que um jardim liga os dois grandes monumentos de Istambul: a Santa Sofia, na cor de terracota e a Mesquita Azul, na cor cinza. Faz parte do Hıpodromo. o grande parque central de Constantınopla.



Portao da Felıcıdade, na entrada de Santa Sofıa

Lustres bem baıxos, quase a altura das pessoas. O tapume esconde os servıços de restauraçao.



Igreja CHORA
Construída em 1311, foı a prımeıra ıgreja fora dos muros da cıdade. Constantınopla era murada nessa época e aında restam 11 km de muralhas ımpressıonantes e mal conservadas, cortando avenıdas e vıadutos. Apresenta os mosaıcos maıs delıcados e belos afrescos de toda a cıdade. Se houver outros mosaıcos por aı. Ha um museu do mosaıco aquı perto do hotel e eu tenho de dar um passada la e ver o que se mostra.

Aboboda da nave lateral esquerda com afrescos muıto bem conservados para seus setecentos anos.

Sempre penseı que os japoneses fossem os melhores fotografos do mundo, mas esta japonesa, autora da foto, mostrou o paınel dos Patrıarcas e escondeu meu rosto.
Chora, depoıs da queda de Constantınopla foı uma mesquıta e - nos últımos tempos foı abandonada e só depoıs, retomou como museu.
Ao lado de fora da ıgreja , numa pequena praça, algumas lojınhas vendem os azulejos pıntados de Iznık, algumas joıas artesanaıs de bom gosto (foı onde compreı meu anel). 

E aı que fıca o melhor restaurante da cıdade: o Asıtane. 



segunda-feira, 10 de março de 2014

7.6 - Palácio de Topkapi

Desde sempre sabia que as jóias, as grandes esmeraldas e rubis otomanos estavam no Topkapi, o primeiro palácio otomano iniciado em 1453, logo depois da queda de Constantinopla, pelo Sultão Mehmet II, o Conquistador e terminado em 1468, abrigando Mehmet II até sua morte em 1481.

Foi construído num local privilegiado, numa península que avança pelo Bósforo. De muitos lugares do Topkapi tem-se vistas exuberantes desse mar. 




Edifício lateral onde era o alojamento militar





Ele foi residência real até 1839, quando novos e modernos palácios foram construídos a margem do Bósforo e a realeza mudou-se para lá.

Fila duns 40 minutos embaixo da chuva para comprar ingresso; acabei optando por um cartão que da entrada a vários museus por 72 horas. Não sei se foi a melhor escolha, fiquei muito pressionada pelas 72 horas. Antes de entrar no museu optei por entrar na cafeteria, sempre aquecida, ansiosa por uma cadeira e um lugar seco.

Depois, entrar em contato com o mundo otomano. 

Parece um condomínio  com muitos prédios isolados um dos outros; a sala da audiência,  o alojamento dos soldados, as cozinhas e estoques, as áreas administrativas. Salas aqui e ali luxuosamente decoradas com azulejos, sofás e tapetes: mesquitas, salas de circuncisão, bibliotecas e - claro, o Harém.


No meio de tudo isso, gramados, canteiros de tulipas, árvores...... Algumas partes dos palácios não estão abertas ao público, principalmente as cozinhas com toda a sua coleção de porcelanas, panelas, travessas, fornos, utensílios em cobre..... 

No alojamento da gendarmeria (adoro a sonoridade dessa palavra) as jóias são exibidas; há uma coleção interessante: as jóias que iam para Meca, para o túmulo do profeta Maomé. Houve alguma interferência inglesa (não conheço esta história) e as jóias foram devolvidas.




Sinto-me com dificuldades para falar do Topkapi. 

Estive duas vezes lá e agora, olhando todas as fotos que há na internet mostrando mil e mais mil detalhes, percebo que se vai uma vida para compreender aquele lugar. Denso de história e longo de habitação, cada um dos cinquenta e tantos sultões que la viveram interferiram em sua arquitetura, seus jardins, sua decoração.

Topkapi é muito maior que o olhar de qualquer turista, nao importe com quantas fotos ele documente sua experiencia.

Topkapi é muito maior que o meu olhar.

7.5 - Istambul. Chove o dia todo

Chove o tempo todo nesta segunda-feira, meu primeiro dia em Istambul. Estou num hotel que foi uma velha casa típica da era otomana (dois ou três andares em madeira). Fica muito perto da Mesquita Azul, numa rua um pouco escura, mas totalmente segura.

O café da manhã vale a pena ser descrito: pepinos em molho de iogurte, salada de pepino simples, salada de tomate, salada de ovos cozidos co pepino, tomate e salsinha. Três tipos de pães, muita geleia, mel, iogurte daqueles espessos que agora no Brasil chamamos de grego, azeitonas em três tipos, verde, preta e recheada, além das coisas ocidentais: café, leite, sucrilhos, nescau, ovos mexidos, salsichas..... Vale pelo almoço, com certeza.


Depois do café da manhã era hora de ganhar a rua; precisava trocar dinheiro e tinha informações que no Grande Bazar as melhores cotações. 1 USD = 1,209 lá e no centro da cidade 1 USD = 1,16. Até lá, e não era perto fui na chuva, apenas protegida pelo capuz do casaco.

O Grande Bazar coberto e iluminado foi uma delícia; passear pelas lojas de lustres, tapetes, artigos em couro, xales e pachiminas e jóias, muitas jóias. Cerâmicas muito coloridas, muitos pratos e tijelas. Queria comprar quase tudo mas ainda estou no começo da viagem, vou apenas olhar e desejar. Na volta compro qualquer coisa. Ah, comprei uma sombrinha dum camelô por 8 TL (liras turcas) . A conversão eh muito fácil para reais 1:1.





Sombrinha em punho voltei pela rua principal do bairro: a Divan Yolu Caddesi onde passam os bondes e tem um comércio normal. Encontrei um velho cemitério no jardim de uma Mesquita e fiquei interessada nos monumentos funerários. 




A essa altura o pé já estava molhado. Mais uma loja de doces, mostrando as Baclavas, típico doce em massa folhada.



Franceses em casais e americanos muito jovens em duplas eram a clientela do café da manhã.

sábado, 8 de março de 2014

7.4 - Finalmente

Finalmente a mala ficou pronta e toda a preparação da viagem se concluiu.


Finalmente no aeroporto, na sala de embarque. Nunca havia embarcado as 4 horas da manhã! Aeroporto completamente vazio, sem fila alguma.

Voo parcialmente vazio, com uma família barulhenta atrás de mim. Diversão por nada...... Quem é turco aqui? Nada que se adivinhe pela aparência.


A Turquia foi um destino desejado por muito tempo e- ao ler a placa Istambul, emocionei- me. Agora era de verdade, pensei comigo mesma.


Serão 12 horas de voo, contra o sol. Viajaremos de dia e depois, pela noite de novo. Chegarei a Istambul às nove e meia da noite. Esta frio lá. Entre 3 a 9 graus esta semana, com dias nublados. Previsão de um dia com chuva, um dia de sol aberto e outros nublados. Para mais ou para menos.


O avião veio de Buenos Aires. Com o embarque em São Paulo, ficou cheio. Estou na segunda fileira, com dois bebês na fileira da frente. Eles e eu dormimos na primeira metade da viagem; na segunda (que só está começando) estamos todos inquietos.

Dei sorte. Sentou-se a meu lado uma brasileira que vive há 3 anos na Turquia. Dicas importantes.


O meu primeiro contato com a língua: sonora, musical, sem sons que arranhem a garganta. A maioria das palavras são oxítonas.


A rota de viagem e específica: viajamos pelo litoral do Brasil até o Espírito Santo, depois cruzamos o Atlântico em oblíquo, em sua menor distância, e entramos na África piela Senegal. - Dakar.  10829 km

Cruzamos pelo sul de Marrocos, pelo meio da Argélia e depois, pelo norte da Tunísia, sempre abaixo da cordilheira de Atlas. Entraremos no Mediterrâneo daqui a pouco, abaixo da Sicília e ilha de Malta.

Cortamos todo o deserto do Saara. E muito interessante viajar 4 horas olhando a areia homogênea e amarela embaixo; sem nuvens, sem verde, sem vegetação.


Logo que embarcamos serviram café da manhã. Sanduíches e sucos ficaram disponíveis e agora. 10 horas depois, serviram o jantar. Peito de frango com legumes ao vapor, salada de folhas e salada de frutas. Menu especial, pedido com antecedência.


Na janela do avião, as montanhas vermelhas do sul da Tunísia... BELAS. Montanhas esculpidas pelo vento, sem nenhuma vegetação, nuas em seu vermelho.

Chegamos as 9:30h, conforme planejado. Apesar do desembarque rápido no aeroporto imenso e quase vazio, a mala demorou uns 20 minutos a chegar. Lá fora, um cartaz com meu nome e um transfer a me esperar e levar ao hotel. Chovia e fazia 8 graus. Em meia hora estava no hotel. Só restava dormir.

quinta-feira, 6 de março de 2014

7.3 - Como planejei a viagem

Não uso agencias de viagem, não gosto dos pacotes prontos e engessados. Há exceções, é claro! Como em viagens que ficamos em uma só cidade, daí é mais cômodo e barato amarrar passagem aérea,translado e hotel em um só pacote. Fiz isso quando fui à Nova Yorque e Buenos Aires. Nas outras, eu mesmo sou a minha agente de viagens.

Outro detalhe: não me disperso muito visitando muitos países, geralmente me concentro só em um país ou mesmo em uma só região, fazendo imersões mais profundas na cultura local.

Como foi desta vez?
Decidido o país, o segundo momento é tentar definir o roteiro. Aí é ler muitos blogs de viagens, olhar mapas e auscultar desejos. Nos blogs brasileiros as informações eram muito superficiais e, muitos se limitavam a Istambul. Achei um blog curioso: "Nos caminhos do chá" ou "Nas trilhas do chá" ou coisa assim, duma garota brasileira que vai abrir uma super loja especializada em chá aqui no Brasil e agora está correndo o mundo para conhecer esta planta. Quando encontrei seus posts ela estava num vilarejo no nordeste da Turquia aprendendo como se planta chá..... "Minha turquia", de uma garota que vive lá e escreve em português e mais um ou outro.

Finalmente achei o "Turkey Travel Planner" e todas as informações necessárias estavam ali. 
Ainda usei o 'Go Turkey", o site oficial de turismo da Turquia, mais o "Travel Heritage Turkey" e por ultimo o "Travel Atelier". 

Mais uma informação aqui e acolá e finalmente o "Lonely Planet Turkey"o guia de viagem em livro que eu mais gosto.

Com isso, penso estar bem informada para entrar no país. Lá, em terra, vivenciando cada coisa, as cores mudam. 

terça-feira, 4 de março de 2014

7,2 - Turquia, quase um continente!

A Turquia é um grande país.

É quase um retângulo, com um pequeno pedaço do território na Europa, onde faz fronteira com a Grécia (e se odeiam) e a Bulgária. Todo o Mar Negro ao norte e - bem à nordeste - a fronteira com a Geórgia. Pelo leste, fronteiras com a Armênia (depois eu falo do grande genocídio armênio praticado pelos turcos no inicio do seculo XX) e o Iran. 

Ao sul, O Iraque, a Síria e o Líbano. Para compensar tanta tensão entre fronteiras, o Mediterrâneo banha toda a sua costa sudoeste e oeste, numa das mais belas regiões de praia: a Costa Turquesa.



Apesar da capital ser ANCARA, a cidade cosmopolita é Istambul, com seus quase 2.500 anos de história. A Turquia, apesar de ser muçulmana, não é árabe. Seus habitantes são turcos. Uma etnia única com idioma próprio. Há também uma outra etnia no norte da Turquia: os curdos. Um povo disseminado entre 4 países e que busca sua independência há anos, sem muito apoio da comunidade internacional.

Em 1922, com o fim do Império Otomano, Ataturk, um general que derrotou a marinha britânica nas batalhas de Gallipolli, durante a primeira guerra mundial, e lutou pela  da Independência na guerra entre 1919 e 1922, se tornou o presidente do país, fundando a República da Turquia. 
Introduziu reformas fundamentais, ocidentalizando o país: mudou o alfabeto de arábico para o latino, secularizou o estado, aboliu as vestes turcas e o véu das mulheres, tornando o país mais europeizado.

 

Hoje o presidente do país é Erdogan, um populista ao estilo Lula. Há uma tendencia a se islamizar o país, o que se nota nas ultimas eleições, principalmente nos vilarejos do interior. As grandes cidades como Istambul, Ancara e Izmir continuam bravamente sua luta em direção ao Ocidente.


A Turquia tenta fazer parte do Mercado Comum Europeu e todos os preços internacionais são cotados em euros (comprei dólares). Ha a resistência da Europa que, em nome das contas públicas, tenta rejeitar o único país não cristão no bloco.


sábado, 1 de março de 2014

7.1 - Turquia

A Turquia habita meus sonhos de viagens há uns 15 anos.
Era a época da virada do milênio e procurávamos o lugar exato para estar. Concluímos então que a melhor opção seria Istambul, a única cidade do mundo entre dois continentes, preferencialmente em cima da ponte sobre o Bósforo, com um pé na Europa e outro na Ásia.

Naquele tempo o real ainda se firmava como moeda e - de quando em quando  - sofria alguns acertos. Gustavo Franco, então ministro da Fazenda, faz uma mudança monetária e flexibiliza o dólar. A flutuar ao sabor do mercado........ O dólar, antes engessado, flutua para cima, é claro, desvalorizando o real nuns 30%.

A viagem dançou.

Depois, o Alexandre foi estudar na França e passava minhas férias com ele lá. O mesmo aconteceu quando ele foi viver em Belém. E a vida foi passando e as prioridades mudando..... Agora, resgato o velho projeto e parto em uma semana para três semanas na Turquia.

O roteiro é o mesmo de 15 anos atrás: Istambul, Capadócia, Konya, rota da seda até Feythine ou Marmaris, Rhodes. Pamukalle se der tempo, e - incluído recentemente - Efeso, ruínas romanas intactas.

Alexandre iria comigo e poderíamos alugar um carro a partir da Capadócia para fazermos a Rota da Seda. Com a desistência dele há uma semana atrás, farei esta parte do roteiro de ônibus. A Turquia não é um pais bilíngue, então dirigir, ler sinais de trânsito numa língua incompreensível, além de consultar rotas pelo GPS são atividades impossíveis de serem realizadas simultaneamente por uma única pessoa.

Como é hemisfério norte, é fim de inverno lá. Em Istambul a temperatura oscila entre 4 a 15 graus, com um dia de chuva. Na Anatólia, o grande planalto central da Turquia esta fazendo -1. Mala com roupas de frio!

A providência mais urgente a tomar e reservar o hotel em Istambul. Abri o site da Booking inúmeras vezes, mas o excesso de opções não me deixa decidir. No preço e local que desejo, há quase 500 opções disponíveis, pois é baixa temporada. Então, como escolher olhando apenas fotos?




Incrível, tenho 2 guias do Lonely Planet. Venho planejando essa viagem all my life.

Acabei de reservar hotel em Istambul. Como eu queria: uma velha casa de madeira de 3 andares, resquícios dos tempos do Império Otomano. 
Nome? 
Muito esquisito: Tashkonak. Fica em Sultanahmet, o centro histórico de Istambul. O preço é bom (R$ 1.000,00/ 7 diárias) e oferecem translado gratuito para o hotel. Isso é essencial, pois vou chegar as 10 horas da noite de um domingo, depois de 14 horas dentro de um avião.

Marcelo de Melo me deu uma dica formidável: mudar o roteiro para HATAY, ao sudeste, quase na fronteira com a Síria, para conhecer os mais lindos mosaicos do mundo no Museu Arqueológico de Antakya. Não sei, estou insegura; com a guerra civil na Síria, deve haver um monte de refugiados por lá. Vou ter informações mais confiáveis em Istambul e decido depois. Daí rifo a Ilha de Rhodes.

Essa é uma das melhores partes da viagem: planejar. Pesquisar, consultar e arriscar. Hoje com a internet é muito mais fácil (não que seja fácil); é preciso ter uma boa quilometragem de viagens para conseguir montar todos os detalhes. E mesmo assim, sempre tem um mico.

Conto depois qual foi, tá?