terça-feira, 3 de agosto de 2021

23.4 - Maranhão - Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Mapa do Parque Nacional dos LençõisMaranhenses - Fonte: ICMBio


O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981, há pouco mais de 40 anos.
Tem 155 mil hectares de área, sendo 90.000 ha. ocupados pelas dunas e lagoas (estima-se que existam 25.000 lagoas no Parque) e o resto por vegetação mesclada  de três biomas: amazônico, caatinga e cerrado.

Desde 2017 está inscrito na UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade, mas o processo ainda não foi homologado. Três municípios compõem o parque: Barreirinhas, Santo Amaro e Primeira Cruz.
Barreirinhas está a cerca de 15 km do Parque e seu acesso se dá por carros off road  especialmente credenciados pelo ICMBio. São carros 4 x 4, com carroceria adaptada que conduzem 10 -12 pessoas.
Veículo credenciado para acesso ao Parque; o rio Preguiça é cruzado através de uma balsa.


Lá há dois circuitos importantes para visitar, ambos contratados por agencias:  Lagoa Bonita e Lagoa Azul. Fiz os dois e - com certeza - este é um dos LUGARES MAIS BONITOS do MUNDO!!!!!! Caminhar pelas dunas brancas e frescas pelo vento, nadar em suas lagoas de água doce e refrescante, observar o céu, as nuvens, o sol, o pôr-do-sol, sentir o vento, a água pelo corpo me colocaram em um contato com o Universo numa vibração sincrônica que limpou a alma.
A primeira visão: aquela que te marca para sempre

Pôr-do-sol nas dunas

Pequena lagoa em forma de folha
Ainda estou muito impactada com as minha vivência cósmica nas dunas; a conexão com o Sagrado;  vibrações em cores e formas. Estava num lugar especial para isso: a imensidão, a luminosidade... Por quê não tentar? Na Lagoa do S, surgiram ogivas em verde pastel sob fundo grená e rosa me dando a sensação de infinito, de pertencimento ao Cosmos, de vibrar numa mesma pulsação. Difícil descrever para você, é muito mais um registro para minha memória.
Eu e o infinito na mesma vibração!
Caminha-se muito nessas trilhas; no circuito da Lagoa Bonita foram 9 km na areia, subindo e descendo dunas. Deslumbrando-se com a imensidão, com os contornos caprichosos que o vento esculpe continuamente e sobretudo com a luz que se reflete de tons diferentes em cada paredão, em cada duna.
Circuito da Lagoa Bonita - Usar os stickers para apoio foi de grande auxilio
No circuito da Lagoa Azul a trilha é menor, 5 km, mas exige mais esforço, é mais difícil. Foi delicioso escorregar duna abaixo e desafiador ir duna acima. Aí, os stickers ajudaram muito; não teria conseguido sem eles. E que felicidade ao conseguir!!!!!

Circuito da Lagoa Azul
                          
 Dias de êxtase e reverências à Natureza.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

23.3 - Maranhão - Barreirinhas

Barreirinhas está a 256 km de São Luís. Rodamos em sentido leste, quase em linha reta. A estrada asfaltada há pouco corre paralela ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Nem foi feita tão perto porque o parque, constituído por dunas de areia, se move com o vento rumo ao sul, em direção à estrada. Muda pouco, um palmo por ano, mas está se movendo. Em Jericoacoara vi um povoado inteiro soterrado sob a areia. 
O caminho é plano com vegetação arbustiva baixa. Um casebre de pau-a-pique aqui e ali. Nenhuma roça, nenhum animal de criação. Triste. Sem saída. Nenhuma placa solar a testemunhar que a tecnologia os alcançou. Terra infértil. Cidades dependentes em mais de 90% de transferências federais e estaduais. Como romper o círculo de pobreza?
Não consigo pensar em nenhum projeto desenvolvimentista para a região. Vimos um início de construção de uma refinaria da Petrobrás que a Lava-jato abortou. Talvez tivesse sido a redenção da região. Que triste testemunhar a destruição de um país por onde quer que se olhe!

Barreirinhas tem 63 mil habitantes e sua economia está ancorada no turismo. É cortada pelo rio Preguiça, um rio longo, caudaloso, piscoso. 
Rio Preguiça - Maranhão
Está às portas do Parque e seu mais fácil acesso. É uma cidade feia que cresce desajeitadamente, sem planejamento algum. Ontem à noite caminhamos por uma calçada construída em dois níveis: um pé em cada degrau. Rsrs. Sem tratamento sanitário, água servida correndo a céu aberto.

Água servida escorrendo pelas ruas centrais - Barreirinhas

A parte turística se concentra na orla do rio: restaurantes, bares, quiosques de artesanato...  A comida na parte norte do Maranhão sofre influencia da Amazônia e consiste basicamente de peixe (frito ou ao molho), farinha amarela, vinagrete e arroz. O peixe mais comum é a pescada branca e a amarela.
Jantar na avenida beira-rio: peixe assado, arroz de cuxá, farofa e vinagrete

Dali saem os barcos para os passeios tanto para o rio quanto para as dunas. São barcos pequenos - as voadeiras - com espaço para cerca de 12 pessoas

Voadeiras estacionadas ao longo do rio Preguiça

O hotel Pousada do Burity é perfeito; chalés amplos e confortáveis, café da manhã com tapioca feita na hora, suco de cajá e caju.... Central e preços honestos.

Hotel Pousada do Burity - Barreirinhas
Ah, isso preciso contar: como no Piauí, aqui há muita moto rodando nas ruas; talvez 50% dos veículos no trânsito. O detalhe, como no Piauí, ninguém usa capacete e - pior, não tem espelho retrovisor.

Moto estacionada em uma rua central, mais uma sem espelhos retrovisores

domingo, 1 de agosto de 2021

23.2 - Maranhão. São Luís.

Acordar e sentir calor. Entre os 0ºC de São Paulo e os 28ºC de São Luís, há uma estranheza, os dois polos do pêndulo. Parece que não há o ponto neutro; vai continuar fazendo calor., 
Estou num hotel em frente ao mar, na Praia de Ponta de Areia. A gente sabe que um hotel é antigo pelo número de tomadas elétricas disponíveis. Quando esse hotel foi construído, há uns trinta anos, não carregávamos tantos equipamentos.
Área interna do hotel Brisamar com o Atlântico ao fundo

Partiremos para Barreirinhas dentro em pouco. Vamos num táxi. A prudência em relação ao Covid nós trouxe essa cautela.

Ontem, no táxi, perguntava ao motorista sobre o governador atual, Flávio Dino. Afinal ele é um governador comunista (PC. do B) reeleito! Ele está bem avaliado, parece que seu principal mérito foi trazer segurança ao estado. Bem, nesse táxi deixei cair uma carteira com um bom dinheiro. Só Platão acredita que o ser humano é bom, justo e honesto...

Mas o Maranhão tem coisas interessantes: a grande ilha de Upaon-Açú, com 3 cidades: São Luís, Raposa e São José do Ribamar. Na baía de São Marcos está o porto de Itaqui, onde a Vale do Rio Doce tem um terminal ferroviário que traz o minério de ferro desde Carajás. Colocamos na agenda a viagem de trem. Há muito me interessava por ela. Há duas opções: até Paraopeba ou até Açailândia, com destino ao Parque Nacional da Chapada das Mesas.

Por aqui também é escoada toda a soja produzida no meio-norte e centro oeste. É impressionante o tamanho dos silos de armazenagem de soja! Pelo avião deu para ver que, a partir de Minas Gerais até muito perto de São Luís, o país é um mar de soja....

Depois do porto de Itaqui a estrada atravessa dois complexos prisionais, um em frente do outro. Num ficam os membros da facção maranhense do PCC e no outro, os do Comando Vermelho. Há alguns anos o Maranhão foi palco de uma sangrenta rebelião de presidiários e a separação das facções foi parte das soluções de enfrentamento da crise.



sábado, 31 de julho de 2021

23.1 - Maranhão - Fim da Pandemia ?

Há um ambiente de relaxamento cuidadoso e atento quanto ao fim da pandemia ou a chegada da nova variante Delta, mais potente e letal. Bem, estou vacinada com duas doses e as férias chegaram. Estou em uma idade de não desperdiçar férias, então escolhi o Maranhão, mais especificamente os Lençóis Maranhenses para visitar.

Não era sem tempo!!!! Diante da infinidade de opções de lugares interessantes para ir, os Lençóis estavam na minha lista, mas disputavam espaços com lugares tão interessantes como Lalibela, na Etiópia ou Samarkand, no Uzbequistão. Com as restrições de viagem impostas pelo Coronavírus, o turismo se volta para o Brasil e seus inúmeros atrativos. Bem, Lençóis é um deles.

Vou com a Márcia Rahabani, velha amiga de tempos imemoriais. 

Márcia e Edna em Ilha Grande - PI

Nunca viajamos juntas mas havia o compromisso de o fazer. Chegou o momento. Vamos em voos diferentes e devemos nos encontrar esta noite no hotel, em São Luiz. Não vou ao Maranhão desde 1980, isto é, há mais de 40 anos. Nessa viagem memorável, feita com Cristina Turazzi, nos hospedamos na casa de uma médica maranhense do qual não me recordo o nome, que conheci num curso de doenças tropicais em São Paulo. Naquela época era comum hospedar-se em casa de pessoas. Tivemos uma grande acolhida e ela , além de outros mimos, disponibilizou seu motorista para nos guiar. Lembro que a praia de Ponta de Areia era deserta e tenho a foto de um jegue nela. Hoje, é a orla mais sofisticada de São Luiz. Lembro do arroz de cuxá e dos azulejos antigos nos prédios mal conservados. Por isso, o blog. Para documentar melhor, para ajudar a memória a percorrer os caminhos.......

Temos um roteiro em aberto: depois dessa noite em São Luiz vamos para Barreirinhas, na borda do parque, cidade com 63 mil habitantes e o primeiro destino para quem visita os Lençóis. Depois, tudo está em aberto. Está nos planos, alguns dias em Santo Amaro, outros em Atins, com viagem de barco pelo rio Preguiça, visita à Parnaíba, no delta do rio e - depois voltar para alguns dias em São Luiz, no centro histórico.

A história de Parnaíba conheço bem depois das minhas pesquisas sobre o Piauí, para o livro do Parque Nacional da Serra da Capivara. mas não conheço nada da história do Maranhão. Sei que à época do Brasil Colônia, a região do Maranhão era uma colônia autônoma e independente do resto do Brasil e ligada exclusivamente à Lisboa. Houve resistência dos maranhenses em reconhecer a independência do Brasil em 1822 e isso só aconteceu um ano mais tarde, com o auxílio diplomático da Inglaterra.



Hoje, Maranhão e Piauí se equivalem em pobreza e índices de desenvolvimento; um dos estados onde a concentração de renda na mão da aristocracia local é assustadora. 90% do PIB se concentra nas três cidades da Ilha de São Luís. Os outros municípios - 217 ao todo - vivem ao léu. Esta viagem também tem esse olhar: ver os pequenos municípios e como eles vivem.

Vou contando à medida que vou descobrindo e entendendo.