quinta-feira, 31 de agosto de 2017

14.2 - Canindé de São Francisco

Canindé de São Francisco é uma pequena cidade no noroeste de Sergipe a 213 km da capital. Tem esse nome saboroso por estar à margem do Rio São Francisco e sede da Represa Hidrelétrica do Xingó.

Canindé apareceu na nossa vida por abrigar um dos trechos mais bonitos do rio: seus canyons! São 65 km de rio correndo entre paredões de arenito vermelho, entre Xingó e Paulo Afonso.Belezura!

Carro alugado, Alexandre no volante, João na cadeirinha de trás, seguimos embaixo de céu nublado e tempo ameno.Estrada reta, reta, andamos a 60 metros de altitude.Surpreendentemente verde, apesar de ser região do semi-árido. Tá certo que a catinga floresce verdejante nos tempos de chuva.... lição apreendida nas minha viagens ao Piauí.

No começo, plantações de cana-de-açúcar. Pouca! Depois sorgo... alguns passarinhos pretos a comer grãos ainda no pé.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

14.1 - Sergipe

A oportunidade de conhecer Sergipe surgiu quase do nada, a partir de um convite de Alexandre:
- Terei 4, 5 dias de folga ao fim de agosto, você não quer fazer uma viagem comigo e João?
- Claro, respondi, não perderia por nada. Para onde iríamos?
- Pensei em Tiradentes.
- Ou Visconde de Mauá. Nem conheço.... Acabo parando sempre em Penedo.
- Pode ser de avião, mãe...
- Floripa!
- Muito frio nesta época. Pode ser no Nordeste.
Esqueci o final do diálogo, mas acabamos optando por Sergipe que, de tão esquecido, nunca havia estado lá.

O que não estava previsto é que - à época da viagem - estaria com uma lesão no joelho e mobilidade reduzida. Mas como a proposta seria alugar um carro, avaliei ser viável. E com a previsão de chuva em ARACAJU, embarcamos pela Gol, naquela que seria a primeira viagem de avião do João.

Não acho que João, em seus quase dois anos de idade, tenha compreendido o que significava andar de avião. Ele viu as nuvens, a asa do avião, talvez tenha sentido o frio na barriga naquela curva ascendente em Guarulhos, mas não deve ter associado a nada. Dormiu no fim da viagem e acordou em terra, dentro do aeroporto e não entendeu. 
- Cadê o avião, perguntou?

Alugamos um carro na MOVIDA e começamos a rodar pela cidade; o aeroporto é central, então caímos num bairro que lembrava um pouco Belém, no Pará... chegando ao nosso hotel na orla. Atalaya é o nome duma praia onde a especulação imobiliária não entrou, nenhum prédio tem mais de três andares. Nem nosso hotel, o CELI HOTEL. Adorei a decoração do lobby, muita cerâmica de qualidade, de tema regional.Cangaço, caatinga... Quero todas, pensei.

E, quinze minutos depois, uma tragédia: uma torção no joelho já destruído me botou no gelo e na cadeira de rodas.....




segunda-feira, 17 de julho de 2017

13.43 - Ásia - Ponto Final

Estou em casa, em pleno jet lag das 30 horas de voo. É quase atravessar o mundo! Pergunto-me o saldo. Estive em países que passaram por projetos políticos muito autoritários por longos períodos, muito recentemente e - há muito pouco tempo - se inserem no mercado de consumo. Outdoors da Samsung e da Toyota são muito recentes por lá.

... alguns dias se passaram antes que eu voltasse a este texto; não conseguia fazer uma síntese dessas sete semanas na Ásia. Descolei-me de maneira muito intensa da minha realidade cotidiana que não conseguia amalgamar as vivências a essa superfície rasa que é a vida organizada do dia a dia. Estranhamente não senti saudades da minha casa, das minhas coisas; minha casa ou um quarto de hotel ofereciam o mesmo abrigo.

Mudou a minha energia e isso não se quantifica: tantas massagens, tantos templos, meditação e solidão me colocaram em outro patamar.Percebo que enfrentei muitos desafios: a todo momento tinha de lidar com uma situação em que não conhecia os códigos.

Foi uma viagem substantiva: foram 17 voos, 10 viagens rodoviárias, 232 km de caminhadas, temperaturas maiores que 40 graus em alguns momentos. Tantos voos têm uma explicação: quase todas as vezes que voei de uma cidade à outra, precisava fazer uma conexão em Bangkok. Claro, ficou um roteiro esquizofrenico, pois - muitas vezes - viajava para leste, em latitudes muito próximas e tinha de descer até o sul, até Bangkok e voltar novamente.

Faria outro roteiro? 
- Sim e não. Organizando a viagem aqui no Brasil, este foi o roteiro possível que consegui montar. Lá - depois de conhecer geografias e rotas, percebi que havia muita coisa a mais. Talvez a mudança mais importante seria ter feito Chiang Mai a Luang Prabang por barco, pelo Mekong.... teria sido muito mais interessante!
Mas é muito fácil propor mudanças no passado, olhando de outra perspectiva.... Isso não é a realidade.

Voltaria?
- Mil vezes, Há tanta coisa por se descobrir em outros lugares ou nos mesmos lugares..... outro olhar.... outras ferramentas.

Gastei pouco, bem menos que imaginava:
- passagens aéreas:         R$ 4.905,00
- vistos                            R$   593,00
- hotéis:                          R$ 4.178,00
- comida e outros gastos:  R$ 4.668,00
- tours                             R$ 1.003,00
- IOF                               R$    903,00
Total                               R$ 16.250,00. 
                                     USD   4.973 USD (cambio de 3,268 reais por dólar)

Não contabilizo as compras. É um item muito pessoal, varável de acordo com o dinheiro disponível, o limite de bagagem e a oferta de coisas interessantes. Mesmo usando o cartão de crédito apenas para as compras de aeroporto, o IOF é uma parcela considerável. 900,00 reais!

Vou consultar postagens antigas mas deve ser o mesmo valor que gastei numa viagem de 20 dias na Turquia, há 2 anos. Aqui foram 45 dias!

Ah, mas preciso contar da Guamnyn, a deusa budista da gratidão. Apaixonei-me por sua imagem quando a vi, empoeirada e suja, numa pequena loja de antiguidades em Vientiane, no Laos. Era cara, bem cara, talvez o mais caro mimo que já me dei de presente. Paguei à vista e solicitei que a despachassem para o Brasil. Como já falei, na Ásia, tudo é uma questão de confiança.... há de se confiar. Ela chegou três dias depois da minha volta. Chegou quebrada! Sua coroa frágil não suportou a embalagem inadequada.... 


Guamnym no momento da desembalagem, sua coroa não suportou a pressão.

As peças quebradas e a dor no coração
A transportadora DHL, depois de comunicada, ressarciu-me das taxas alfandegárias (100% do valor do produto). A loja que me vendeu apesar de comunicada por e-mail duas vezes, nem tomou conhecimento. Soube pela DHL que ela recebeu o seguro para repor a peça, mas não aconteceu nada.

Consegui restaurar a peça; paciência, habilidade e materiais certos. Aí, a minha experiência em mosaicos (que é a arte de colar cacos) ajudou muito. Hoje ela enfeita minha sala com serenidade e iluminação.


Guamnyn - restaurada e nobre, iluminando minha sala
Só um sentimento para terminar esta história: Gratidão!

sexta-feira, 2 de junho de 2017

13.42 - Ásia. Mercado Flutuante de Amphawa

A 60 km de Bangkok, na cidade de Samoc Sakorn, está o distrito de Amphawa, onde nos fins de semana acontece o mercado de rua e - um pedaço dele é feito nos barcos. 

Rio Amphawa e seus barcos restaurantes
É um mercado de poucos turistas e muita gente da terra. O forte é a comida. Asiático adora comer na rua e há toda uma expertise em cozinhar e vender em espaços provisórios.

Cozinha flutuante

Os clientes sentam nos degraus à margem do rio e comem nessas mesinhas de plástico colorido
 
Deu para entender?

Faltavam umas comprinhas, aquelas miudezas de valor afetivo. Terminei-as por lá depois que achei 50 dólares esquecidos na carteira. Tendo Winai e Nok por guias, pude experimentar o que há de melhor em comida de rua. Senti falta dessa assessoria nos outros países, poderia ter ido mais fundo...

E assim termino minha viagem pela Ásia. As malas estão prontas, check-out realizado. Chegando a Bangkok, só mudar de roupa pegar as malas e ir para o aeroporto. 

Despedida. Voltarei outra vez? Há desejo e há possibilidades.
 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

13.41 - Ásia - Bangkok - meu intervalo comercial

Bangkok foi a porta de entrada e a porta de saída. No aeroporto de Saigon (gosto mais desse nome do que Cidade de Hô Chi Minh), o avião teve de voltar para o Terminal porque quebrou alguma peça e não conseguiu decolar . Eu e todo mundo pensamos:
- Ainda bem que quebrou em terra!
Uma hora depois decolamos sem nenhuma explicação. Foi um voo com turbulência, quanto mais as turbinas zuniam, mais medo eu sentia.

Mas chegamos bem, aeroporto vazio e bem conhecido, saí rapidinho. Hotel longe, beirando Rio Chao Phraya. Chegando à noite, foi meio assustador, um bequinho cheio de quebradas. 

- Arrependida? Perguntei -me. 

Tentava me convencer que estar ali a beira do rio, quase pondo a mão na água enquanto tomava cerveja no bar do hotel e apreciava os monumentos iluminados de outro lado, havia sido escolha minha. 

Visão noturna de Bangkok com Palácio Real ao fundo

Mas à luz do dia tudo ficou diferente; acordei em meio a um grande mercado de rua, ao lado do pier, frequentado pelos locais, foi um grande presente. Centenas de barraquinhas com todos os tipos de comida que os tailandeses comem, mais as barraquinhas de flores para Buda, além de outra centena vendendo roupas, calcados e brinquedos chineses. Baratos e de baixa qualidade.
Balsas atravessando rio Chao Phraya

Pier ao lado do hotel

Ah, três casas de massagens! Meu último presente a mim mesma: tai massagem de uma hora e meia! E se eu disser que a massagista, já velhinha e miúda, vestida de preto, é claro! subiu e ficou em pé sobre mim. Caminhou sobre minha coluna e pernas... e era muito bom!

Winai, Nok e Lai Hemn estão comigo e vão me entregar no aeroporto em algumas horas. 


Ontem passearmos por Bangkok: o mercado local, o almoço no restaurante popular e de qualidade por R$ 6,00 e depois conhecer o Templo de Wat Pho.

Urnas funerárias-monumentos com as cinzas dos reis Rama II, Rama III, Rama Iv e Rama V em Wat Pho

Grand Buda deitado em Wat Pho


Dezenas de potes para receber moedas e desejos. Para cada urna, um desejo


terça-feira, 30 de maio de 2017

13.40 - Ásia- O Budismo no Vietnã

Há alguns temas que passaram ao longe de nossas vidas. Um deles é a história da Ásia. Apesar de ter o mesmo grau de civilização ou até mais desenvolvida que a Europa, nossa educação nunca levou em conta 2/3 do mundo. Então, viagens como essa te dão um olhar bem mais crítico sobre a organização geopolítica do mundo.

Por exemplo, Angkor foi contemporânea de Roma e tinha os mesmos 1 milhão de habitantes... sabemos o nome de todos os Imperadores de Roma, de alguns até uma biografia mais detalhada como o nome dos amantes e do cavalo. De Angkor, nem sabíamos da existência...

Tudo isso para falar do Budismo no Vietnã. Não me preparei para o Vietnã. Entrei nele com meus 6 sentidos aguçados e deixei que eles me guiassem. E aos poucos fui percebendo que ele não se confunde com os outros países vizinhos.

Primeiro, é uma etnia diferente: nem Mon, nem Tai, nem Khmer. Já, já descubro de onde vieram...
Segundo, Vietnã era rota comercial entre Índia e China, as duas grandes civilizações mais antigas. E o Budismo caminhou nessa rota. Com influências hinduistas, o Budismo Mahayana chegou à China, Japão, Coréia, Tibete e Vietnã. O Budismo Theravada, praticado no Sri Lanka, Tailândia, Myanmar, Laos e Cambodja segue outro caminho. 


Não sei a diferença, tá? Imagino algo como católicos e protestantes....

Buda - uma para cada dia da semana - Tailândia
 
Budas de origem Theravada em Shwedagon - Myanmar
A primeira diferença é a imagem de Buda: enquanto no Theravada é um Buda longilíneo, orelhas de vaca, olhar e sorriso indefinidos, representado sempre em ouro ( as vezes em Branco), no Budismo Mahayana , é um Buda gordo, barrigudo, careca. Buda Feliz! Happy Buddha! Ou então é uma imagem de gênero indefinido, com muitos adornos como brincos e colares.





Os templos também são diferentes; os Mahayana tem muita madeira esculpida, são menores, mais contidos. Os Theravada, são mais suntuosos, mais exibidos.




O comportamento dos monges também é diferente. Nos países de Budismo Mahayana não se vê monges nas ruas, apenas dentro dos templos. Já, os Theravadas começam o dia pedindo comida nas ruas e são visíveis em todos os lugares, inclusive nos shoppings.



Chamou a atenção o fato de muitos andarem descalços. O maior sol, as pedras do chão queimando, e eles andando normalmente, como se nem percebessem o desconforto.


O piso de Shwedagon às três da tarde deve chegar a uns 70 graus!
Em algum dos meus voos, nem me lembro mais qual, voaram comigo 3 monges de idade indefinida; 2 estavam descalços.

E os mosteiros tem uma importância política intensa... ja, já conto algumas histórias.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

13.39 - Ásia - Transportes. O meu olhar

Avião: 
Ethiopian Airlines compete com Turkish e Qatar. Preços similares. A escala em Addis Abeba foi cultural, pisar no Chifre da África!


Aeronave da Ethiopian AirLines

Low Cost Companies: viajei por várias; de 60 a 80 dólares por voos de cerca de duas horas. Não perdem tempo e trabalham com custos mínimos. Não servem nada, se precisar de algo, se compra. As próprias comissárias, ao fim do voo, colocam luvas e limpam os banheiros e tiram o lixo dos bancos. O avião não desliga o motor. Quando pousa, a companhia já abre o em embarque. Sai o último passageiro, embarca o primeiro do próximo voo.
Sem perda de tempo.


Thai Air Lines - low cost company

Jet Air - Outra low cost asiática

Air Asia - A maior companhia do sudeste asiático - seu slogan"Agora todo mundo pode voar"


Táxis 
Carros: só em Bangkok há taxímetro; ops, Hanói também. Geralmente o. Hotel faz a reserva para você e se paga antecipadamente ao hotel. Não estressa. Geralmente os preços são honestos.

Uber: funcionam igual. Usava para lugares distantes. Aí , nunca sabia como iria voltar, se haveria internet disponível.

Ônibus:
O sleeping bus é o transporte mais comum entre as cidades, mesmo que a viagem seja feita durante o dia. Tem 36 lugares, em três fileiras de dois andares, com 6 bancos-leitos em cada. Tem ar-condicionado, wi-fi (mais ou menos), cobertor e água gelada.




sleeping bus no Vietnã - dois andares .

Meu pé esticado e enrolado em cobertor

Camionetes: Carroceria adaptada com bancos. Vai mais gente, é mais barato;


Camionete-táxi em Luang Prabang - Laos
Motos: na maioria dos lugares era o único transporte disponível. Preço negociado na hora. Isso era uma canseira. Geralmente, a viagem saía por 4 vezes menos que a primeira oferta. Mas chegar até lá... e os mototaxistas atravessam, roubam passageiros dos colegas, entram no meio da negociação e ofertam por menos... sem falar na viagem, às vezes com a mala grande, capacete meia boca ou sem capacete... e aquelas manobras suicidas no meio do trânsito e você, na garupa...


Cadê o capacete?

Todo mundo descansa deitado

Máscaras para proteger da poluição. Há máscaras de várias cores e estampas para se combinar com o que quiser

Sideway mototáxi:
Aqueles veículos que tem uma cadeira na lateral. Aparece muito nos filmes da Segunda Guerra. Usei uma vez. Mas é mais segura que a moto. Pouco disponível, só vi em Bagan, em Myanmar.
E a gurizada vai jogar futebol....

Bagan - Myanmar - Cadê o capacete?
Tuc-tuc 
Meus preferidos. Não há nada mais asiático 


Tuc-tuc em Bangkok com Nok e Lay Henn

Tuc-tuc em Bangkok


Tuc-tuc na despedido do Camboja - aeroporto

Charretes e carros-de-boi


Carro de boi em Myanmar

Charrete em Myanmar